You are currently browsing the monthly archive for dezembro 2009.

Graças ao comentário do Raphael, descobri que o arquivo do provos ficou muito grande mesmo (valeu Raphael!). Estou tentando novamente, mas agora em três partes. Acredito que com arquivos menores dê certo. Avisem se algo sair errado de novo.

provosparte1

provosparte2

provosparte3

Anúncios

O Marcelo pediu pra eu escanear este livro pra ele e aproveito pra colocar aqui. É muito divertido, inspirador, legal de ler. Enfim, é tesão pra caralho!!!

p.s.: pedimos desculpas pelo arquivo ter ficado meio pesado.

baixe aqui provos

XUPAXU (CHUPA-SHOE) [1994]

Eu conheço um cara
que trampa de engraxate,
só que ele tem tara
na bota de combate.
Não usa flanela,
não lustra nem escova,
só passa a língua nela,
mas deixa que nem nova.

Tá doido! Que serviço asqueroso!
É lógico que esse é um trabalho para o Glauco Mattoso!

Se não tiver bute,
serve até sapato.
Pode ser quichute
que ele dá um trato.
Tenha bico fino
ou venha com poeira,
serve até menino
na base da zoeira.

Pisante de calouro
ou de veterano,
ele lambe o couro
até ficar brilhano (brilhando).
Limpa cano alto,
limpa até por baixo,
tira pó do salto,
tem língua de capacho.

Tira pó da beira,
tira pó da sola.
Se grudou sujeira,
na hora ele descola.
Ele não é bicha,
nem punk, nem de circo,
mas como ele capricha
quando abocanha o bico!

Tênis de bandido,
chanca de zagueiro,
tudo encardido,
soltando aquele cheiro;
o cara esfrega a baba,
você nem imagina;
depois que ele acaba,
fez a maior faxina.

Estamos disponibilizando o impressionante zine do poeta Glauco Mattoso, o Jornal Dobrabil, publicado ao longo de quatro anos no fim dos anos 70. A publicação é inteira datilografada, um trabalho realmente impressionante. Quanto a sua concepção temática, o autor mesmo declara que tinha “uma proposta estética que credenciava meu trabalho, a COPROFAGIA. Fiz a apologia da merda em prosa & verso, de cabo a rabo. Na prática eu queria dizer pra mim mesmo e pros outros: ‘Se no meio dos poucos bons tem tanta gente fazendo merda e se autopromovendo ou sendo promovida, por que eu não posso fazer a dita propriamente dita e justificá-la?’.

Agradeço ao João, que tinha a compilação em casa e me emprestou pra tirar xérox. Valeu João! Também aproveito pra pedir desculpas por algumas páginas estarem meio falhadas, mas é que o xérox ficou ruim.

Segue o jornal dobrabil em duas partes, por conta do tamanho do arquivo:
baixe aqui jornal dobrabil parte1
baixe aqui jornal dobrabil parte2













DE DUVIDA [1976]

     "and there are no truths outside The Gates of Eden." (Dylan)

o dedo
a forma
o dedo mas a forma
o débil dedo mas a fóssil forma
o sim do débil dedo mas o não da fóssil forma
da forma o não do dedo
do dedo o sim da forma
o sim
o não
o deformado
deforma o centro
o dedo, embora
a fóssil forma morre do lado de fora
e o débil dedo vive do lado de dentro
                        das Paredes do Crânio

a vida
a grade
a vida mas a grade
a vígil vida mas a grácil grade
o sim da vígil vida mas o não da grácil grade
da grade o não da vida
da vida o sim da grade
o sim
o não
a gravidade
gravita o centro
a vida, embora
a grácil grade morre do lado de fora
e a vígil vida vive do lado de dentro
                        das Paredes do Crânio

o dedo a vida a forma a grade
a livre prisioneira a presa liberdade
o circunscrito centro
onivolente, embora
a realidade morre do lado de fora
mas a verdade vive do lado de dentro
                        das Paredes do Crânio

Páginas

%d blogueiros gostam disto: