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1 – Informações básicas

Fantoches da Meia Noite de Di Cavalcanti foi publicado em 1922 pela Monteiro Lobato e Cia., primeira editora de Monteiro Lobato, que existiu de 1920 até 1925. A edição de luxo foi lançada na livraria Casa Editora O Livro, de Jacinto Silva, na R. XV de novembro, em São Paulo.

O livro foi editado como uma caixa de pranchas contendo os desenhos, medindo 15,5 cm por 20,3 cm cada. Não conseguimos referencia da ordem original dos desenhos nem tivemos acesso a um dos originais para consulta e possiblidade de uma edição fiel, apenas uma foto da internet. A tiragem também é desconhecida, mas sabe-se que foram feitas poucas cópias da publicação.

2 – A nossa edição

A primeira vez que vimos os Fantoches da Meia Noite de Di Cavalcantifoi no blog Gramatologia. A vontade de reeditar o livro foi imediata. Pegamos as imagens do próprio site e fomos pesquisar sobre as características da edição original. Nunca reeditado, descobrimos o paradeiro de duas cópias, uma estaria na Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro e outra na Casa Guilherme de Almeida em São Paulo. Realizamos uma visita à BN com o intuito de consultar a edição original da obra, mas infelizmente a cópia não foi encontrada pela funcionária que nos atendeu. Como ela também não soube nos informar o que aconteceu com a raridade, tivemos que nos contentar com uma reportagem e com a referência do livro comemorativo dos 200 anos da Biblioteca Nacional, onde diz que consta do acervo. Não tivemos chance de verificar a cópia existente em São Paulo por falta de dinheiro e tempo.

Como podem notar, nossas limitações editorais não impediram sua publicação, mas determinou seu formato. Tivemos de imprimir as ilustrações aos poucos na impressora colorida a jato de tinta do pai de um dos editores da DODO Publicações. Ao longo de algumas visitas e longas horas de impressão, conseguimos reunir as quase 30 cópias do livro. As dimensões também foram determinadas a partir das limitações da impressora a jato de tinta, que só suportava papeis até o formato A4. Além disso, quando começamos a imprimir ainda não sabíamos das dimensões na qual o original tinha sido publicado, muito menos a ordem das ilustrações (colocamos na ordem em que encontramos no blog Gramatologia). Outro problema foi não ter a referencia da cor original dos desenhos para orientar o tratamento das imagens para a impressão.

Estas limitações não poderiam nos impedir de publicar este livro importantíssimo tanto na obra do artista Di Cavalcanti como na história editorial brasileira. Para Di, Fantoches da Meia Noite marca uma nova fase em sua carreira. Através desta série de desenhos, aos 24 anos, o artista rompe com a influencia da ArtNoveau e começa uma nova fase, de tendência expressionista. Seu traço se torna mais autoral.

Fantoches da Meia Noite foi inovador para a época não apenas pelo conteúdo, mas pelo formato. É um dos primeiros livros de artista publicado no Brasil e talvez a primeira publicação de uma serie de desenhos, de um álbum, pensado como publicação no país.

A presente edição ainda conta com o texto original de abertura escrito por Ribeiro Couto e um texto de Mario de Andrade publicado na revista Fon-Fon de 1 de julho de 1922, onde ele discorre sobre a obra de Di Cavalcanti e a publicação Fantoches da Meia Noite.

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