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Mais lembrado na história da arte como pintor ligado ao expressionismo alemão Lyonel Feininger foi um desses artistas inquietos que se dedicaram a diversas atividades, foi além de pintor; músico, fotógrafo, caricaturista e desenhista. Nascido em Nova York mudou-se na juventude para a Alemanha onde estudou artes e posteriormente tornou-se professor da Bauhaus, fez parte da lista dos artistas que tiveram suas obras classificadas como degenerada pelos nazistas.

Feininger escreveu seu nome na históra dos quadrinhos com duas tiras que criou e publicou no jornal Chicago Tribune no ano de 1906, The Kin-Der-Kids e Wee Willie Winkie’s World.

Seus quadrinhos trazem elementos do expressionismo, nonsense, art noveau e algumas semelhanças com os trabalhos de Winsor Mccay.

Abaixo uma pequena mostra destes trabalhos primorosos.

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Desenho: Osamu Tezuka (gibi “Buda”)

Texto: Hermann Hesse (livro “Sidarta”)

“Govinda pasmou-se, mas, atraído por sua grande feição e por algum pressentimento, obedeceu ao desejo de Sidarta. Achegando-se a ele, imprimiu-lhe os lábios na fronte. E nesse instante aconteceu-lhe qualquer coisa singular. Enquanto os seus pensamentos ainda se detinham nas palavras estranhas, proferidas por Sidarta; enquanto seu espírito se esforçava, relutante e improficuamente, por eliminar o tempo e por representar-se a unidade de Nirvana e Sansara; enquanto no seu íntimo certo desdém pelas opiniões do amigo se debatiam com irrestrita ternura e reverência, deu-se com ele o seguiunte fenômeno:

Govinda já não enxergava o semblante de Sidarta, seu companheiro. Em vez dele via os outros rostos, inúmeros, toda uma fila, uma torrente de rostos, centenas, milhares, que todos eles apareciam, sumiam e todavia davam a impressão de estar presente simultaneamente, rostos esses que a cada instante se modificavam e renovavam e, contudo, eram sempre Sidarta. Via a cabeça de um peixe, uma carpa, com a boca semi-aberta em infinita dor, peixe agonizante, de olhos vidrados. Via o rostinho de uma criança recém-nascida, vermelho, enrugado, a ponto de chorar. Via a fisionomia de um assassino, no momento em que varava com a faca o corpo de sua vítima e, ao mesmo tempo, via esse criminoso a ajoelhar-se, algemado, para que o algoz o decapitasse com um só golpe de terçado. Via os corpos desnudos de homens, mulheres, entrelaçados em posições e embates de desvairado amor. Via cadáveres prostrados, imóveis, gélidos, vazios. Via cabeça de animais, de javalis, crocodilos, elefantes, touros, aves. Via divindades, Crisna, Agni… Via todos esses vultos e rostos ligados entre si por milhares de relações, cada qual a acudir o outro a amá-lo, a odiá-lo, a destruí-lo, a pari-lo de novo. Cada qual expressava o desejo de morrer, era apaixonada e dolorosa a profissão de enfermidade e, no entanto, não morria, apenas se modificava, renascia uma e outra vez, tomava aspectos sempre diversos, sem que o tempo se intercalasse entre uma e outra configuração. E todos esses rostos repousavam, flutuavam, geravam-se mutuamente, esvaíam-se e confundiam-se. Mas por cima deles, sem exceção, estendia-se uma camada fininha, irreal e todavia existente, qual tênue chapa de vidro ou de gelo, camada transparente, casca, molde, máscara de água. Pois, essa máscara morria, e essa máscara era o rosto risonho de Sidarta, que ele,  Govinda, nesse momento tocava com os lábios.”

Estamos finalmente de volta, após longo período de torpor e hibernação. Novas possibilidades surgindo, estamos mudando de direção, mas não de essência. Na verdade não sabemos bem, mas temos certeza.

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