OPA!

Eis que finalmente saiu a segunda edição do fanzine de quadrinhos Arrotinhos Curry com duas versões de capa:

Classic

Deluxe

E a quarta capa (parte de trás da capa) ficou assim:

Nela você encontra 7 personagens contidos no interior do zine. Tem que ler pra poder brincar. Um vai de lambuja já:

Atendendo a pedidos, a segunda edição está ainda mais carregada de Curry! Desta vez, até mesmo a tinha usada na serigrafia é feita de Curry! Você consegue imaginar? Peça já o seu e sinta na pele! Entregamos no planeta todo.

obs: A versão em digital pdf sai apenas ano que vem.

Bom… foda-se esta contagem regressiva! Vamos logo para as publicações!

Em pleno NÚMERO DOIS da contagem regressiva para a retomada geral, postamos aqui uma pequena e singela amostra dos temperos especiais da edição NÚMERO DOIS da celebrada publicação Arrotinhos Curry!

Esta segunda edição vem carregada com mais do dobro do Curry que você já conhece e adora. Mas isso é assunto pra outro post.

Arrotinhos foi Sucesso total nas feiras de zine em que foi pré-lançado com exclusividade para o público carioca. Se você mora em outro lugar do mundo, pode pedir o seu exemplar aqui pelo blog ou pelo nosso e-mail s.a.c.dodo@gmail.com . Se você mora em Curitiba – e consegue esperar para por a mão no seu – em breve estaremos lançando esta bagaça por aí.

Querida Estrela no Céu do Verão:

Como me escreveste bem e com sinceridade e como o teu amor me chama dolorosamente como o canto eterno, como a aterna reprovação. Mas estás no bom caminho quando te confessas a mim, quando confessas a ti mesma todos os sentimentos do coração. Não chames, porém, sentimento algum mesquinho, nem emoção alguma indigna! Todo sentimento é bom, muito bom, até o ódio, até a inveja, até o ciúme, até a crueldade. De nada mais vivemos todos senão de nossos pobres, belos e gloriosos sentimentos e cada pessoa a quem tratamos mal é como uma estrela que apagamos.
Se amo Gina, não sei. Duvido muito disso. Não seria capaz de fazer qualquer sacrifício por ela. Não sei nem se sou capaz de amar. Posso desejar, posso procurar a mim mesmo em outras criaturas, posso escutar um eco, posso querer um espelho, posso procurar o prazer sensual e tudo isso pode parecer amor.
Nós ambos, tu e eu, erramos no mesmo labirinto, no jardim de nossos sentimentos que se tornaram muito curtos neste mundo mau e, por isso, procuramos, cada qual a seu modo, vingar-nos do mundo perverso. Mas queremos que um dos outros sonhos permaneça pois sabemos como é doce e vermelho o vinho dos sonhos.
Clareza sobre os seus sentimentos e sobre a importância e consequencia dos seus atos, só têm as pessoas boas e seguras que acreditam na vida e nada fazem que não possam achar justo amanhã e depois de amanhã também. Não tenho a sorte de estar entre essas pessoas e me sinto e procedo como alguém que não crê no dia de amanhã e considera cada dia como o último.
Amada e esbelta criatura, procuro sem êxito exprimir os meus pensamentos. Os pensamentos expressos são sempre tão mortos. Vamos deixar que vivam! Sinto profunda e gratamente que me compreendes e que alguma coisa em ti tem afiniade comigo. Como isso deve estar inscrito no livro da vida e se os nossos sentimentos são de amor ou desejo ou simpatia, se são maternais ou infantis, isso não sei. Muitas vezes vejos cada mulhewr como uma velha e astuta libertina e muitas vezes como um pequeno garoto. Ora é a mulher mais casta que mais me tenta, ora é a mais depravada. Tudo o que me é dado é belo, é sagrado, é infinitamente bom. Como, por quanto tempo, com que intensidade, isso eu não posso medir.
Não amo só a ti, como sabes, e não amo só a Gina. Posso amanhã e depois de amanhã amar outras mulheres, pintar outros quadros. Não lamento, porém, qualquer amor que tenha tido, nem qualquer ato sensato ou louco que tenha cometido em consequencia deles. Talvez te ame a ti porque és parecida comigo. Amo a outras porque são muito diefrentes de mim.
É tarde da noite. A lua está sobre o Monte Salute. Como ri a vida, como ri a morte!

Joga esta tola carta no fogo e depois joga no fogo
o teu Klingsor

- Julio Cortázar

(segundo informa a imprensa)

A moeda cruza e cai cara ou coroa
como a cruz cai Cristo ou os ladrões,
como a cara cai graça ou sombra
como a lua cai estátua ou cão,
e ao pé desse desenredo
o Grande Costume vela.

O Grande Costume com capuz de avestruz vela ao pé do desenredo
para que a moeda caia sempre cara
e toda a cara sempre sombra caia,
para que toda cruz seja Cristo,
para que o pé não saia de sua trilha o Grande Costume vela,
vela com longos dentes pendurados sobre o lábio cuneiforme,
baskerville, elzevir: o Código, esse nome do homem feito História.

- Saudações, maravilhosos meninos norte-americanos
chamados a lavar a lepra hereditária,
irrompendo na sala quando o pai e a mãe viam televisão
com uma saudável, perfeita punhalada, com um golpe de ferro na cabeça
onde Kolynos ou Goodyear esvaziavam seus vermes de manteiga apodrecida.
Saudações a Mervyn Rose, a Sandy Lee, a Roy McCall, a Dick sardento e sujo,
e a Lana Turner junior, capaz de fazer o que a cadeira elétrica não fará.
Saudações, jovens heróis, assassinos de um tempo proxeneta.

Legítima defesa, rapazinho, estão tentando te estuprar, te encurralam
com um buçal de enciclopédias, promoção e De Soto,
com pasta dental perfeita, o telegrama em fórmula de luxo,
com discos de Sinatra ou do Quarteto Húngaro,
vai, derrota-os,
não te vendo palavras, mata-os de verdade para que vivam,
quero dizer: arranca-os pela raiz,
quebra em pedaços a roda das rodas, destrói a cusparadas uma história
que masturba seus macacos ao ritmo das máquinas da Time,
que entroniza princesas de roleta católica,
que engendra putas para desprezá-las no leito legítimo
com um desprezo que não irá jamais a um almirante ou a um bispo.
Oh, crianças assassinas, oh, selvagens tochas
fulminando as tias comedoras de estampas e cúpulas floridas,
os vovôs com medalhas de honra na entreperna,
os papais que pontificam experiência,
as mamães que costuram botões com ar de martírio.
Uma lata de gasolina, um fósforo e se acabou: a fogueira é uma rosa,
começa a noite de São João, hosana!

Enquannto se viver assim, no Grande Costume,
enquanto a história continuar sua cópula gosmenta com a História,
enquanto o tempo for filho do Tempo
e preservarmos as efemérides podres
e os podres heróis de desfile,
as caras serão sombras,
as cruzes serão Cristo
a luz o amargo quilowatt e o amor,
revanche e não leopardo.
(Alguns, poucos, vivem se desacostumando.
São mortos aos montes, mas sempre
há algum que escapa,
que espera na saída da escola
para incentivar o colegial de olhos de gelo
e lhe oferecer um canivete.)

Derrota
de Gibran Khalil Gibran

Derrota, minha derrota, minha solidão e minha indiferença;
vocês me são mais caras que mil triunfos,
e mais doces ao meu coração do que toda a glória do mundo.

Derrota, minha derrota, conhecimento de mim e meu desafio,
através de você sei que ainda sou jovem e de pés velozes,
e que não me deixarei prender por louros murchos.
Em você encontrei a solidão
e o prazer de ser evitado e desprezado.

Derrota, minha derrota, meu escudo e espada reluzente,
em seus olhos vi
que subir ao trono é tornar-se escravo
e que ser compreendido é ser diminuído
e que ser dominado é alcançar a plenitude
e, como uma fruta madura, cair e ser consumido.

Derrota, minha derrota, companheira ousada,
você vai escutar minhas canções e meus gritos e meus silêncios,
e ninguém além de você vai falar comigo do bater de asas,
e da ânsia dos mares,
e de montanhas que ardem à noite.
Só você vai escalar minha alma íngreme e rochosa.

Derrota, minha derrota, minha coragem imortal.
Você, só você e eu vamos rir com a tempestade
e juntos abriremos covas para tudo que morre em nós.
E vamos ficar de pé ao sol, com vontade,
e seremos perigosos.

vamos em frente

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